Imprimir
Categoria: Direito, Lei e Fato (I)
Acessos: 1533
Estrela inativaEstrela inativaEstrela inativaEstrela inativaEstrela inativa
 

1. Dinheiro

1.1. Conceito, talvez. Definição, nunca.

Durante séculos dinheiro foi sobre tudo um bem físico, fungível e móvel. A moeda de ouro ou prata valia exatamente sua massa (peso). Já na Idade Média tornou-se comum guardar as fortunas com o “ourives”, que recolhiam os objetos de ouro e prata em cofres, e dava a esta pessoa um recibo que garantia este bem. Tal recibo era usado pra pagamento de dívidas, em negociações, e então surgiu o dinheiro de papel. A história conta que este serviço de ourives foi prestado também pelos templários, e teria sido a cobiça por deste cargo que fez o governo francês acusá-los de heresia, e em seguida os Governos dos países se ocuparam deste serviço. No tocante ao valor do dinheiro intrínseco e extrínseco leia:A cunhagem de moedas em ouro e prata manteve-se durante muitos séculos. As peças eram garantidas por seu valor intrínseco, isto é, pelo valor comercial do metal utilizado na sua confecção. Assim, uma moeda contendo vinte gramas de ouro era trocada por mercadorias nesse mesmo valor. Durante muitos séculos, os países cunharam em ouro suas moedas de maior valor e reservaram a prata e o cobre para os valores menores. Esses sistemas mantiveram-se até o final do século XIX, quando o cuproníquel e, posteriormente, outras ligas metálicas passaram a ser muito empregados.

A moeda passou a circular pelo seu valor extrínseco, isto é, pelo valor gravado em sua face, independentemente do metal nela contido. (FREITAS, 2004)As nações foram organizando seu dinheiro individualmente, buscando impedir a falsificação e igualar as relações entre bens (prata e ouro) e cédula de papel. Porém esta relação era conflitante, e já nos adventos da modernidade foi se empregado uma medida conhecida como Padrão de Ouro, assim todo dinheiro era deveria ser convertido para a quantidade de ouro existente no cofre do país, o primeiro momento desta ação segundo importantes autores teria sido do século XIX até a 1914 todos os grandes países tinham o Padrão Ouro como medida de sua unidade monetária.Até este momento, definia-se dinheiro como “documento representativo de um tesouro material guardado, um título ao portador”. Os bancos eram brigados a converter os valores depositados nele em dinheiro, sempre que solicitado por quem o confiava os cuidados de suas fortunas. Mas esta definição logo mudaria.

No Brasil e outros países ainda não desenvolvidos, o Padrão de Ouro foi muito tardamente usado, uma vez que sua implantação era dificultada até mesmo pela reservas de bens, pelo endividamento, logo nestes o sistema usado foi o de curso forçado, onde a circulação do dinheiro de papel se fazia por força de lei, a chamada moeda fiduciária.O Brasil ingressou no sistema padrão-ouro com a sua adesão ao FMI em 14 jul. 1948. A participação brasileira correspondeu a quotas no total de US$ 150 milhões. Em pagamento de parte dessa participação, o Brasil remeteu 33 toneladas de ouro ao FMI. Na vigência do regime da paridade do cruzeiro com o ouro (cruzeiro-ouro), o cruzeiro correspondia a 0,0480363 gramas de ouro fino. (NÓBREGA, 2004).

A Primeira Guerra Mundial (Julho de 1914 a Novembro de 1918) marcou o conflito deste padrão monetário, o mundo agilizava suas transações, e sem controle na manipulação de bens, produção de lucros exorbitantes com a venda de produtos bélicos à Europa, os Estados Unidos percebeu que este padrão não satisfazia a necessidade do capitalismo, e por si só resolveu modificar isto, soltou no mercado mais dólar, em primeiro momento seu dinheiro tinha um valor maior, e isto não foi um problema.A Guerra acabou no final de 1918, diante disto a reconstrução da Europa ainda rendeu enormes ganhos, a expectativa de ganhos futuros fez uma com que as empresas soltassem títulos de créditos a seus clientes. Estes títulos de créditos permitiam aos clientes comprar bens e pagar serviços, com a intenção de quitá-los no futuro, outro investimento que cresceu muito foi os investimentos na Bolsa de Valores, está por sua vez reunia o dinheiro investido nela e o distribuía nos mercados emergentes, como capital de giro nas diversas empresas, e os resultados eram surpreendentes.Se com uma maçã e um pouco de farinha que custavam U$ 0,30 produziam uma torta de U$ 15,00 o ganho era extraordinário, quem investia U$ 1,00 na Bolsa de valores durante a Primeira Guerra recebia outros U$ 6,00 em um mês, a princípio este ganho era real, mas com o tempo nasceu à vã confiança de que a Guerra ou ao menos o alto consumo continuaria para sempre, e o mercado injetou em si mesmo mais dinheiro, porém este não se equivalia a título de tesouro, mas a um dinheiro fictício, eram títulos de crédito que podiam ser usados em compras de outros bens e serviços, mas que não equivalia a algo material. A Europa necessitava de alimentos, armas, compravam de tudo, e o EUA viveram um momento auge, os investimentos em produtos agrícolas foram grandes, a produção de seriais é um exemplo clássico tratado por diversos autores, em que os agricultores produziam tanto produtos que tiveram que recorrer ao armazenamento e fizeram custearam isto com empréstimos feito em bancos.

A Guerra acabou, mas o mercado Europeu, destruído, durante alguns anos necessitou do mercado americano, o fluxo de ouro ia para os Estados Unidos, e este dava mais créditos aos estadunidenses, ignorando que o mundo mudava. A Europa recuperava sua economia e os EUA não diminuía o ritmo, a febre dos ganhos fáceis e do pouco trabalho adoecia a população, que ao ver o levantamento da Europa reconstruída, e o medo de uma recessão, levou-a a prever uma desvalorização em seus investimentos feitos nas empresas através da Bolsa de Valores.

1.2. A lição que o mundo não aprendeu: Queda na Bolsa de Nova York.

O conhecido Crash da bolsa de Nova York, 1929, não aconteceu por apenas um fator, mas por vários, entre eles, a diminuição da venda de diversos produtos à Europa. Sem venda a produção encerrou e os funcionários eram demitidos; os funcionários iam ao banco resgatavam seus investimentos; os Bancos pra pagar seus investidores tinham que cobrar dos seus credores; os credores não tinham mais empregos pra honrar suas dívidas, e as empresas sem poder pagá-las decretava falência sem pagar os Bancos, sem pagar funcionário. Um efeito em cadeia. Bancos, empresas rurais, industrias, todas foram a falência enquanto as pessoas brigavam querendo seus investimentos de volta, porém já existia ai uma confusão sobre o que seria “o dinheiro”. Não existia dinheiro! O que existia era apenas crédito, e este crédito sumiu subitamente quando as empresas que o cediam faliram. Nada mais que 12 milhões de estadunidenses perderam o emprego em poucos dias.Suicídios se tornaram comuns, a América do Norte se viu definhar e seu liberalismo econômico mostrou falhas profundas. O desespero tomou o dia a dia, e como registro uma citação do AFP, Washington:A atual recessão pode fazer com que aumente o número de suicídios, temem os especialistas da saúde americanos, que evocam o fantasma da crise dos anos 1930 e seus subseqüentes dramas humanos. A morte na terça-feira de Thierry de la Villehuchet, um investidor francês que se matou em Nova York depois de se ver arruinado pela fraude de Bernard Maddoff, voltou a gerar medo de uma onda de suicídios em Wall Street em conseqüência da \'quinta-feira negra\', que, por sua vez, é mais mito que realidade. "Em períodos de recessão, o índice de suicídios tende a aumentar. Isso se viu em 1929 e nos anos que se seguiram", observou Ron Maris, ex-diretor do Centro sobre Suicídios da Universidade da Carolina do Sul. As linhas de telefone "SOS suicida" foram reforçadas nos últimos meses. "Comprávamos um aumento do número de ligações", afirmou Marshall Ellis, da Associaçao CrisisLink que cobre a região de Washington e recebe cerca de 2.300 consultas por mês. Em outubro, logo depois do início da crise causada pela falência do banco Lehman Brothers, o número de ligações para a CrisisLink sofreu um aumento de 132% com relação a outubro de 2007. Sobre os cinco últimos meses, o aumento alcançou 81%. "As pessoas estão angustiadas pelo que acontece. Estão desconectadas (da sociedade) e expressam seu medo", observa Ellis. "Certas pessoas dizem que têm medo de perder o emprego e outras explicam que se sentem cada vez pior quanto à pouca possibilidade de encontrar trabalho". "Podemos suspeitar que as pessoas que perderam muito dinheiro apresentam um sério risco", concluiu.  (AFP, 2009) O quadro crítico só começou a ser combatido com o presidente Franklin Roosevelt que mudou as regras de intervenção a economia, investindo em infra-estrutura, com uma ação de assistencialismo social e salário-desemprego, com alguns anos foi se amenizando os problemas, porém só se corrigiu com o começo da Grande Guerra (1939).Em 1944 já com a experiência passada da grande recessão, a comunidade internacional se reuniu no Mount Washington Hotel, em Bretton Woods, a conferência monetária internacional iniciou uma segunda fase do Padrão de Ouro que foi abolido pelo EUA em 1971, abrindo um novo momento de incerteza econômica. Tendo um papel de liderança plena nas relações monetárias os Estados Unidos, assumiu a regulação do dólar, e os países já usavam como Padrão.

1.3. Padrão Dólar? Isso existe?

Não existe um Padrão de Dólar, como seria facilmente presumido. Porém o que acontece inegavelmente se assemelha a isto. Se um país tem muito Dólares, o preço do Dólar cai dentro do país, e o valor do dinheiro nacional aumenta. Ao mesmo tempo se o Dólar do país sai, e as reservas dentro do mercado são poucas, o perco do Dólar aumenta, o dinheiro nacional desvaloriza. Nestes momentos os Bancos Centrais nacionais acaba intervindo, injetando Dólar, de seus cofres, no mercado com intuito do preço diminuir. O efeito, teórico é muito semelhante ao que acontecia com o Ouro.Já nas últimas décadas do século XX o dinheiro se definia sobre uma relação de confiança num mercado. Nem mais o Estado é o único responsável por uma moeda. Muitos países compartilham de uma mesma unidade monetária, o Euro é um exemplo vivo disto. O Dólar é usado por todo mundo, vários países usam duas ou três moedas, e o dinheiro não é mais representação de um tesouro, mas um ficção criada sobre as expectativas e confianças num macromercado.Hoje mais do que nunca, o dinheiro vale a confiança dos investidores equiparada a especulações negativas e positivas de um mercado único e global. Diante de uma dos olhos amáveis de uma classe de investidores, imediatamente as maquinas começam a funcionar e são produzidos milhões de notas. Se falta nota e existem bens a serem consumidos as empresas financeiras concebem crédito e sem nenhum controle eficaz tais créditos são distribuídos sem a preocupação se poderão ou não serem honrados nos prazos estabelecidos nos contratos.Washington, 18 fev (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, apresentou hoje um plano de US$ 75 bilhões que tem como objetivo ajudar nove milhões de proprietários de imóveis ameaçados pela crise hipotecária.Em discurso nos arredores de Phoenix, no Arizona, Obama afirmou que o projeto visa a reduzir os efeitos de uma crise que "nunca tinha acontecido em escala tão grande"."Todos estamos pagando um preço por esta crise hipotecária. E todos pagaremos um preço ainda maior se permitirmos que esta crise se aprofunde", destacou o governante americano em uma das regiões mais castigadas do pelas execuções hipotecárias nos EUA.O plano, mais ambicioso do que o imaginado em princípio, quando se falava de um montante aproximado de US$ 50 bilhões, tem como objetivo permitir que até nove milhões de proprietários afetados pela crise possam reestruturar suas hipotecas e/ou evitar as execuções de seus empréstimos.Segundo Obama, uma parte será destinada a ajudar "proprietários responsáveis", donos de imóveis que quiserem modificar em seu benefício as situações de suas hipotecas, mas que atualmente não podem fazê-lo porque suas casas se desvalorizaram.Segundo a Casa Branca, este grupo reuniria entre quatro e cinco milhões de pessoas.Outra parte se destinaria a ajudar entre três e quatro milhões de pessoas que, devido à recessão, têm problemas para pagar suas parcelas da hipoteca a cada mês, mas não podem vender sua casa porque o imóvel se desvalorizou.O fundo ajudará os que se comprometerem a pagar uma quantia razoável para conservar seus lares, promete a Casa Branca. (Vidal, jornal G1, 2009)Assim inicia a crise atual. Que nada mais é do que o reflexo de acesso de fé no Jeito Americano de Viver, no qual se acreditava num consumismo e num lucro incessante por mais um século. Então créditos foram cedidos, e o sonho da casa própria foi realizado por muitos, outros hipotecavam a própria casa para compra de outros bens, como carros, viagens ao redor do mundo, acessórios de informática até perfumaria. Mas o crescimento do mercado não foi o suficiente pra fechar as contas. O único meio usado pra enfrentar a inadimplência foi o aumento dos juros. Uma ação que visava dividir com todos os prejuízos dos maus pagadores, como assustar aqueles que pensassem em protelar a citação de algum título de crédito vencido.Inútil, as pessoas não tinham dinheiro, não era uma questão de pressioná-las com juros altos. Não tardou observar que não era nem uma nem duas pessoas, mas uma massa, milhares de pessoas em um mês não conseguiam honrar suas dívidas, em especial no mercado imobiliário, e o que a priori foi chamada de Crise no Mercado Imobiliário Americano, causou desvalorização do dólar, e forte turbulência no mercado mundial.

2. A servidão proposta pelo capitalismo,

2.1. O mito da vila,

Numa vila existia uma Olaria, uma Padaria e uma Livraria, utopicamente organizadas. A Olaria produzia os tijolos. Os tijolos eram vendidos, com o dinheiro da venda se paga os trabalhadores que junta, amassa e queima o barro, o restante um lucro de 400% vai para o dono da Olaria. Os funcionários da Olaria gastavam 45% em pães, 30 em tijolos e 20% em Livros, e juntavam 5% ao seu patrimônio. A Panificadora produzia pães. Os pães eram vendidos, com o dinheiro da venda pagava o trigo e o pessoal que sovava e assava a massa, o restante um lucro de 300% ia para o dono da Padaria. Os funcionários da Padaria gastavam 45% em pães, 30 em tijolos e 20% em Livros, e juntavam 5% ao seu patrimônio. A livraria vendia os livros. Os livros eram vendidos, com o dinheiro pagava os escritores e a gráficas, o restante um lucro de 200% ia para o dono da Livraria. Os escritores e o pessoal da gráfica gastavam 45% em pães, 30 em tijolos e 20% em Livros, e juntavam 5% ao seu patrimônio. 10% dos de tudo produzido ia para o Prefeito, que gastavam 5% na cidade, e juntava 90% ao seu patrimônio. Tudo funcionaria perfeitamente se os empregado (proletariado) se contentar com sua realidade serviu. Força de trabalho com remuneração mísera, e proprietário do meio de produção com ganhos exorbitantes.

2.2. Têm medo de trabalho

Diferente do que todos pensam, a escravidão é algo muito recente, a Lei Áurea, é datada de 13 de maio de 1888, completando hoje, exatos 121 anos. O suposto ato de benevolência dos brancos já é sabido por todos, não passar de uma estratégia capitalista. Os escravos não recebiam, logo não poderiam comprar. Se livres, estes trabalhariam e com o dinheiro comprariam, e não trabalhando e não comprando aos brancos que morressem a míngua, ninguém nunca se preocupou com isto.

A vila é a eterna representação do meio de produção. Que historicamente passou pela servidão, escravidão até o proletariado moderno. Esclarecendo, proletariado é todo aquele que não tem mais do que força de trabalho, o que no trabalho deveria ser tudo, porem antagonicamente, como Marx registra, é nada.As elites oligárquicas vivem está realidade em toda a história humana, onde o lucro é fácil. E diante das crises sempre se apavoram com o medo de que terão que talvez um dia trabalhar. E para se protegerem recorrem a um aumento de juros, de preço, justificando tudo num desperdício, mas esquecem de contar que este desperdício é feito por eles mesmos.O extremo das ações oligárquicas é a demissão de funcionários e aumento da carga de trabalho, justificando que são cortes necessários. Mas nunca cortam suas viagens aos exterior, suas passagens aéreas, nunca aumenta suas cargas horárias. E o fundamental, a elite não consegue que “não dá pra ganhar tanto lucro sobre tão pouco trabalho”. Parafraseando os portugueses, pode-se afirmar que “Trabalhar é preciso”.Ou amargam seus prejuízos por brincarem de fazer dinheiro de papel, ou distribui o preço dos prejuízos da crise nos países pobres levando 100 milhões de pessoas a fome, como afirma a ONU, o que já em 2008 era um problema.Para explicar a crise atual, no entanto, não é possível eleger um “vilão” específico. Segundo especialistas, são muitos os fatores que culminaram no cenário de inflação agravado desde o começo do ano. De acordo com o Programa Mundial de Alimentos (PMA) das Nações Unidas, a falta de alimentos ameaça como um "tsunami silencioso", e pode afundar na fome 100 milhões de pessoas. (GUIMARÃES, G1, 2008)

Durante a palestra de Estudo de Caso sobre a Crise Econômica foi possível notar o quanto este momento abala diretamente ou indiretamente os Direitos Civis. Naturalmente estes são muitos, reais e muitas vezes drásticos. E o fato deste não poder ser a priori quantificado, sua presença é real, intensa e muitas vezes drástica.

3. Reflexos palpáveis ou civis,

3.1. O Domicílio

Inicialmente a Crise chamada de Crise Imobiliária Americana, devido à principal causa, a desvalorização dos imóveis, como cita o jornal O Globo.Cai preço dos imóveis - O excesso de crédito acabou por gerar um círculo vicioso, que culminou com a redução do preço dos imóveis nos EUA em razão do volume de oferta de casa novas. Assim, muita gente se viu pagando dívidas maiores do que o bem a elas atrelado, o que acarretou um movimento de "desistência" por parte dos mutuários. Por isso, o aumento da inadimplência - que já gira em torno de 5% nos financiamentos imobiliários dos EUA - deve gerar o fechamento da torneira dos empréstimos no país. E é justamente aí que mora o perigo: sem casa, poupança ou acesso a crédito, as famílias americanas podem deixar de comprar, afetando a economia local e também a do resto do mundo. (O Globo, 2008)Como conta o trecho, o excesso de crédito sem devida apreciação da possibilidade de citação, causou em médio prazo um grande número de inadimplência, sem poder pagar a compra da casa, os imóveis era hipotecados e devolvido ao mercado de venda para serem revendidos. Como não era um ou outro, mais milhares de famílias perdendo suas casas, o mercado se saturou de ofertas de venda, e naturalmente o preço dos imóveis caíram. Com os preços baixos, aquelas pessoas que tinham comprado suas casas a preços altos, ao verem um preço tão baixo não queriam honrar as dívidas por acharem que o que pagavam não estavam de acordo com o preço dos imóveis, e estas também deixaram de pagar o que deviam, tudo se tornou uma grande “bola de neve” e o setor imobiliário faliu.

3.2. O Crédito

Com era de se esperar a “bola de neve” cresceu. Inadimplentes os estadunidenses  perderam seu créditos, e sem ele todo o comercio ficou prejudicado. Sem crédito não há compra.Para compreender esta ideia tão radical e necessário entender a chamada “confusão do dinheiro” que acontece no mundo atual. Pois há quatro décadas o dinheiro não tem um referencial material de riqueza, ele tão somente é do que um direito de crédito concedido a alguém em contra partida a um bem material ou prestação de serviço prestada.Ter dinheiro não é necessariamente ter uma fortuna real, pois este pode desvalorizar dentro de um determinado quadro econômico. Ter crédito por sua vez é indispensável, e perdê-lo é ter cassado o direito de compra de participação nas relações comerciais.Semelhante ao que acontece no Brasil com as Associações de Proteção ao Crédito, (SPC, SERASA,...) porém de forma inversa, o mercado norte americano e o europeu tem um sistema de permissão de crédito, uma vez estando nele, você pode realizar compras, e tornando-se inadimplente perde esta permissão, não podendo comprar a prazo.Menos crédito - Uma das principais vias de contágio da crise internacional se dá por meio da falta de crédito. Com a crise atual, há menos dinheiro no mercado e bancos em todo o mundo estão mais cautelosos, têm diminuído seus empréstimos e cobrado mais caro por eles. Na opinião do economista Nathan Blanche, da consultoria Tendências, é nessa área que está o maior perigo para a economia brasileira no médio e longo prazo. "As empresas devem conseguir continuar rolando suas dívidas, mas o mercado está mais difícil e algumas devem inclusive optar por não buscar dinheiro novo", afirma ele. (BBC Brasil, 2009)        

Sem crédito o consumismo norte americano reduz, e todo o mundo sente a diminuição das vendas, um fato, sem vendas o capital e lucro diminuis, cortes devem ser feitos, e são. Principalmente no tocante ao emprego.

3.3. Das pessoas físicas e jurídicas

O grande mal que a Crise pode provocar seria a recessão, que é a interrupção do crescimento mundial, devido a ausência de capital para a produção, venda e continuidade do fluxo financeiro.

Dinheiro é combustível para o Mercado, é necessário tê-lo não tão somente para produzir bens, mas para que outras pessoas possam consumi-los. Sem dinheiro não há compras, sem compras não é necessário produzir, e as vagas de trabalho diminuem. Sem trabalho o essencial não é obtido. O desempregado muitas vezes depende da assistência governamental eu filantrópica para sua dignidade, na manutenção da alimentação, moradia, saúde, muitos dos direitos assegurados constitucionalmente, são colocados em risco, por não ser o Estado capaz de administrar muitas pessoas que encontrem em situação ociosa.

Demissões em todo o mundo – A recessão econômica nos Estados Unidos e a desaceleração da atividade em outras regiões geográficas afetaram fortemente o lucro de muitas companhias nos últimos meses de 2008 e no conjunto do ano, obrigando-as a reajustar seus custos. A fabricante de maquinaria pesada Caterpillar informou que adotará medidas direcionadas a cortar 20 mil postos de trabalho em vista da situação econômica atual e das péssimas previsões para 2009. Os resultados da farmacêutica Pfizer nos últimos três meses de 2008 também foram piores que os do ano anterior, e refletiram uma queda de 90% no lucro líquido, assim como de 4,1% do faturamento. (MACIEL, 2009)Não pode-se penar unicamente numa crise nos Estados Unidos, mas numa crise no Maior Mercado internacional, as ofertas de trabalho, geração de renda e dignidade entra em caos. A incerteza diminui os investimentos, cessão o crescimento, abre espaço para especulações pessimista, cria confusão, pânico.Não são poucos os casos de hostilidades na relações com o trabalho, assedio moral, trabalho em servidão, ocorrências de atos de violência e até mesmo de suicídios. As empresas são forçadas a cortes, quando não chegam a bancarrota, o que é bastante comum.

Considerações finais

Como já visto, crises são cíclicas e natas ao sistema capitalista, e por experiência verifica-se que estas são resultados numa fé confiante de que o consumismo desenfreado se estenda por mais tempo do que é esperado, ou muitas vezes pela necessidade de que o consumismo moderado seja uma constante.Pelo conhecimento histórico, sabe-se que muitos dos títulos vencidos de crédito serão amargados pelos credores, nunca serão pagos, e com tempo terão que ser dado novas cartas de créditos a estes “devedores” para que refaçam sua condição de pagadores, é como um perdão coletivo, a final, nem eles mesmos são culpados da situação, vista que a criação do próprio título foi inconseqüente por quem a concebeu.Assumir prejuízos e traçar rumos é uma exigência. Sair da crise, uma conseqüência. O mundo irá sobreviver.

 

Referências

 

AFP News. Washington. Matéria: Como em 1929, a crise econômica pode aumentar o número de suicídios. Traduzido por tradução por Notícias Yahoo, publicado em Qui, 25 Dez, disponível em <<http://br.noticias.yahoo.com/s/afp/081225/economia/finan __as_cri>>, acessado em 10 mai 2009.FREITAS, Newton. História do Dinheiro, Escambo e moeda-mercadoria. Disponível em <<http://www.newton.freitas.nom.br/artigos.asp?cod=101>>, acessado em 09 mai 2009.GUIMARÃES, Ligia. Entenda a crise mundial dos alimentos. Jornal G1, Globonews online. São Paulo. Disponível em <<http://g1.globo.com/Noticias/Economia_ Negoci os/0,,MUL427 246-9356,0 0.html>> acessado em 10 mai 2009.NÓBREGA, Adalberto. Da moeda ao ativo financeiro: uma leitura jurídica do ouro. Brasília: Brasília Jurídica, 2004.VIDAL, Macana. Jornal G1, globonews online, matéria: Obama lança plano para ajudar vítimas da crise imobiliária. Disponível em << http://g1.globo.com/Noticias /Mundo/0,,MUL1008155-5602,00>>, acessado em 9 mai 2009.BBC. Brasil. Entenda como a crise econômica afeta o Brasil. Disponível em http://ultimosegundo.ig.com.br/bbc/2008/09/18/entenda_como_a_crise_economica_afeta_o_brasil_1897903.html, acessado em 15 mai 2009.GLOBO. Medo dos investidores é que \'bolha imobiliária\' afete o consumo nos EUA. Disponível em  http://g1.globo.com/Noticias/Economia_Negocios/0,, MUL78019-9356,00.html, acessado em 10 maio 2009.MACIEL, Daniel. Demissões em todo o Mundo. Jan. 2009. Disponível em http://coariporcoari.com/2009/01/crise-economica-demissoes-em-todo-o.html, acessado em 9 mai 2009.