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menino na_rua

É preciso discutir qual o papel da criança em nossa sociedade e não vê-la como co-responsável pelo sustento familiar que é uma tarefa dos adultos. O problema do trabalho infantil embora bastante complexo, tem que ser visto como uma perversão do papel da criança na sociedade. Esse fenômeno não é exclusivo do mundo moderno, mas acreditava-se na tendência de sua erradicação diante de conquistas trabalhistas que impunham uma legislação que garantia relações de trabalho mais humanas.

__ Na sociedade feudal, a criança executava um papel produtivo direto ("de adulto"), assim que ultrapassava o período de alta mortalidade. Na sociedade burguesa, ela se transforma em alguém que demanda ser cuidada, escolarizada para uma atuação futura. Essa idéia de infância é, então, determinada historicamente pela modificação das formas de organização da sociedade. Esse modo de organização institui diferentes classes sociais no interior das quais o papel da criança é diferente. 

__ A 1ª Guerra Mundial e a nova depressão econômica afetaram o pensamento de então, voltando a ser posto em causa o significado da diferença, o papel da criança na sociedade a prevenção das doenças e deficiências, as prioridades no domínio dos serviços de saúde e de segurança social, etc. Nos EUA, é nesta altura que se começa a fazer a formação de professores de ensino especial nas Universidades, que se formam as 1ª associações de deficientes (1934), que saía a 1ª revista sobre crianças deficientes (1935)- Excepcional Children, que se começa a estar preocupado com a identificação precoce, com o tornar a educação do deficiente a mais próxima possível da normal, que se discute enfim a educação em escolas especiais versus integração escolas regulares, etc.
__ Entretanto a globalização da economia e a revolução da informática alteraram significativamente o mundo do trabalho, cresce a demanda por serviços, empregos temporários de mão-de-obra flexível e trabalhos de meio expediente, essa precarização das relações de trabalho facilita a entrada precoce no mercado de trabalho.
__ Além dessas questões, é preciso notar que segundo as pesquisas do DIEESE, a maioria das crianças assumem que gostam de trabalhar e não querem parar, as famílias acreditam que é bom para a profissionalização e no mercado de trabalho há empregadores que reforçam essa noção, burlando a lei e os direitos da criança e do adolescente. Pode-se dizer que temos um trabalho invisível, realizado por crianças carentes e que a sociedade não vê como nocivo.
__ As crianças dizem que gostam de trabalhar, afirmam que não têm muito estímulo para os estudos e que a escola não é interessante. O reflexo disso está nos altos índices de repetência, em torno de 60 a 70%, contrastando com os índices oficiais que ficam em torno de 20% ao ano, o que demonstra que a repetência escolar é maior entre crianças que trabalham, além da defasagem idade/série.
__ Embora poucas crianças se manifestem quanto ao desejo de não trabalhar para estudar e ter tempo livre segundo a pesquisa, a maioria sonha com a universidade e com outra profissão. O DIEESE aponta ainda que o trabalho infantil além de estratégia de sobrevivência é também uma forma de inserção social das famílias. A sociedade e as famílias aceitam o mito que o trabalho faz parte de um aprendizado e preenche o requisito de experiência anterior tão exigido no mercado formal de trabalho. Assim o trabalho infantil é visto de maneira natural e muitas vezes desejável.
__ A sociedade deve estar voltada para estas questões, investindo na formação de seus membros. Supomos que através de tal prática pedagógica, a família, escola e comunidade possam tornar-se agentes formativos, melhorando a qualidade da vida da criança, integrando-a nas relações sociais de forma benéfica. Lembrando-se sempre que integrar não significa ignorar as especificidades, mas favorecê-las em exercícios diários. (Sílvio Lôbo)

(A imagem/foto que ilustra este artigo foi encontrado via google no blog de Laiane Jociene, mas não foi possível determinar a autoria)

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