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[Originalmente este artigo foi uma carta

Nunca esperei mais de 30 minutos, e hoje irá passar de 1 hora. Não sei o que é. Não é paralisação. Vejo dezenas de ônibus. Só agora são quatro desembarcando (Eixo 85, T10, T63, Garavelo). Algo que não falta são ônibus próximo a rodoviária.

Eu que faço teorias de tudo, chego a pensar que a seqüência do meu ônibus é de 30 minutos. Não teria como ser mais rápido, pois ele, mesmo nas horas de rush, nunca fica cheio, e sempre ao voltar eu sou levado a crer que seja o único usuário a ser trazido pra casa.

Assim não me resta além que acreditar que o ônibus das 18:00 tenha chegado um pouco antes, os da 18:30 estragou no caminho e o das 19 horas esteja atrasado.

Então chegou a noite de sexta-feira, que pra mim não tem aquele gostinho de último dia de aula da semana, pois amanhã ainda tenho duas maravilhosas aulas a partir das 7 da manhã.

Mas como de costume, aqui estou. Sentado nas raízes de uma grande árvore olhando o mundo. Gosto de viver, de ver as pessoas caminhando, indo e vindo buscando motivos.

E ali, Uma moça negrinha, cabelos presos com força, caminhava rápido com aquele gingado típico. Mas existia lá mais que rebolar crioulo, do requebrar do quadril. Existiam ali intenções. Não, não... ela não sabia que eu a observava. Mas ela sabia que era observada. Então olhei ao redor e vi ali a intenção.

Era um rapaz gordo, um motoqueiro que vinha lento e lerdo segundo o gingado da negrinha. Eu não via a cor do homem, mas deveria ser branco amorenado, mais largo que gordo. E ia seguindo a nega.

A negrinha gingada porque era olhada, eu não erro isto. E a moto contornou, subiu no meio fio e foi seguindo a negrinha, cercando-a com uma intimidade que já existia há meses ou ano. Mas a negrinha se recusava, fugia dele, mas gingava. Dava bastas com as mãos, mas gingava. A boca e a mão falava ‘não’, mas a o quadril gingava ‘sim’, ‘sim’, ‘sim’.

O homem falava, falava,... pararam! Ali, dois namorados parados. Um suspiro e a negrinha afastou mais cinco passos e cinco círculos de gingado. Então parou.

O motoqueiro abaixou a cabeça, ela olhou ele por cima. Estava perdoado. Ele levantou os olhos sorriu,... não vi... já era escuro e ele estava longe,... mas eles sempre sorriem,

O motoqueiro entregou um molho de chaves pra negrinha e deu a curva e partiu em alta velocidade. A alegria no coração pesava nos pés.

Para que tanta briga? , pensei... Nesta noite farão amor. Nesta noite depois de antas brigas, depois de brigaram na praça, e lançarem todos os defeitos e vícios um na cara do outro, ao final... se entregaram. E arriscarei dizer que no final, nem a culpa restará (não muita).

E mais uma vez fiz minhas teorias...

Amor, sexo, fornicação, conhecer...

Talvez a Bíblia seja nosso registro temático de sexualidade mais curiosa.

Deus fez Adão, fez Eva, e eles se “conheceram”... (Êxodo), Já em Lucas, quando o anjo Gabriel anunciou a Maria que ela teria um filho, ela disse: mas como se não “conheço” homem...

Se a Bíblia estiver certa, e o “conhecer” se síntese em sexo... nossa! o que será de mim!, (estou rindo agora... só rindo mesmo... so’rindo),

Desculpas mais liberais, mas o mundo está em um caos. Valores perdidos, confusão...

“Fazer sexo por si mesmo”... “prazer por prazer”... eu não faço..., mas eu me justifico, nem pela religião, nem pela ciência... prefiro ir por uma máxima, de que se conhece a árvore por seu fruto. E quando se fala na sexualidade do mundo de hoje, quanto são os frutos ruins... aborto, abandono...,

Todos fazem sexo, a cópula está presente aos animais, e não há criações que nasçam sem a cópula carnal.

Logo não há como proibir,... até porque dá prazer, é bom...

 Minha pergunta então (feita agora debaixo da árvore) é como separar amor de mero sexo (prazer)?

Penso que nunca saberei,... mulheres são infinitos, nunca entenderíamos tudo que precisamos entender.

Penso que no final tudo seja pouca-vergona, e que tudo é prazer, medo, culpa e gozo.

O que diferencia então um do outro, é que algumas pessoas justificarão seus atos num desejo de “construir”.

O eterno e interno desejo... filhos, casa, colo! continuo e quentinho.

 

05/06/09

Sílvio de Souza Lôbo Júnior {jcomments on}

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