Estrela inativaEstrela inativaEstrela inativaEstrela inativaEstrela inativa
 

 

Muito jovem tomei como empreita anotar coisas que acontecia em minha volta, como num livro. Poderia gastar laudas e laudas contanto uma espera numa fila, como poderia passar dias em linhas e anos inteiros num único e breve parágrafo.

O que notei, é que, igualmente a um livro, a vida também tem certa coerência, e boa parcela de previsão. Assim durante alguns anos tomei o cuidado de escrever no dia 31 de dezembro minhas expectativas sobre o próximo ano, e nos anos seguintes me preocupei sempre de inserir nas cartas dos anos seguintes as ‘previsões’ que se satisfizeram, e quais foram frustradas.

Heureca, foi como disse o filosofo. “a literatura tem que ter coerência, já a vida, não!”, é isto. A vida ao fim é um livro com pouca ou sem coerência, dotado de saberes que extravasam qualquer formalidade. O segredo da existência está sobre tudo em assistir à vida.

Assim, cabia a “eu” conhecer as pessoas, personagens desta fabulosa aventura. Mas eu não tinha um método, então tentei perguntar: “Me fale sobre você?”,

Ah, foi como em Dom Quixote. Vi gigantes onde eram moinhos de ventos, vi princesas em meretrizes, e vi gatunos onde tinham pastores de rebanho.

No final vi que as pessoas tinham opiniões muito confusas sobre si mesmas, e que o pedido de que a pessoa falasse sobre si, não parecia ser a coisa certa, uma vez que as pessoas não sabiam quem realmente eram. Muitas vezes descreviam o que queriam ser.

Voltei ao papel, anotei o que as pessoas falavam que eram, e depois cruzei com o que as pessoas “demonstravam ser”. Com isto escrevi um livro, cujo título escolhi ‘?’.

Com o tempo fui passando as informações e repassando, e como um poeta a busca daquela poesia ou o maestro na procura daquela melodia perfeita, eu buscava entre as anotações do que as pessoas diziam ser e o que demonstravam ser algo de consistente.

Foi numa noite que descobri. “Ah, foi como tirar o mundo das costas”. Uma parte do grande enigma da vida estava resolvido.

Não me interessava saber “o que uma pessoa falava de si”, mas “como ela falava”.

Conversava com uma menina, fiz tal questão, “Me fale sobre você”..., em um discurso simples, disse-me ser do signo de Capricórnio, não foi além de uma ou duas observações sobre seu humor e já meteu a falar sobre a mãe; na história e durante cinco minutos falando da família eu interpus com um sorriso.

Era claro pra mim,... o fato de alguém acreditar em Zodíacos,  para um técnico ou Cristão fundamentalista, pode não significar nada, porém, o silêncio entre fratura das palavras demonstrava mais que isto,

Significava que ela acreditava em destino, toda sua despreocupação sobre algumas circunstâncias, seria demonstrada dia-a-dia, sobre aspectos de uma fé simples, numa predestinação. A relevância ou “tudo” que se fazia sua mãe, e a importância da família, falavam muito sobre ela, ... mas do que ela conseguiria exteriorizar, ou que ela soubesse de si mesma.

Tudo depois que se encerra parece compreensivo, e eu sempre repito, “quando não compreendo tudo de algo ou de um momento, é que: ou não tenho todas as informações sobre este algo, ou que os fatos relacionados ao acontecimento ainda não se encerraram”, sei que falta humildade nesta teoria, mas desde que eu não a compartilhe com ninguém, muito menos tente enfiá-la goela a baixo de outrem, não terá problemas, e restará pra mim desculpas para meus próprios fracassos.

 Este é meu primeiro segredo,... uma compreensão prestigiada para compreender o que acontece em torno de mim. Não venho vender um produto,..., ou fazer propaganda de mim mesmo,... mas é que o segredo para garantir uma amizade eterna comigo é não mentir nem tentar me enganar.

Bem que nunca vi uma pessoa que dissesse, “Seja meu amigo mentindo ou me enganando”,... logo a observação é invalida, ... mas!... não é sobre isto que eu falo,... não é sobre enganar no sentido criminoso, imoral, antijurídico,

 

Falo em enganar, porém, do engano dos sentimentos,... digo mentir quando negamos uma chama que se acende dentro de nós, e que nos leva muitas vezes a tornar como amigo o amante, ou como amante o amigo,

 

Se eu pedir um copo de água para você, e você cuspir dentro dele, provavelmente eu irei beber. Não consigo fazer deduções rápidas, de coisas e acontecimentos ainda vivos”.

 

Uma madrugada irei tomar um chá, rabiscar algumas palavras, ouvir uma boa música e irei entender porque quando te vi pela primeira vez meu corpo tenha incendiado de tal forma. Porque falei do você pra várias pessoas, e porque minha psicóloga disse, “é você está apaixonado por ela”,... um dia!... hoje é tudo muito encima, eu não consigo pensar tão rápido. Ao tempo que eu nunca me dou o direito de sentir,... não assim,

 não ao risco de ferir ninguém,

... é minha amiga,...

 

Até o próximo item de mim,{jcomments on}

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