Instagram

Ajude-nos

Você sabia que qualquer pessoa pode publicar neste site, mas que todo custo é pago apenas pelo editor?
Se deseja ajudar este projeto, pode fazer doações de qualquer valor, mesmo poucos centavos, por meio de depósito em poupança da Caixa Econômica Federal. Anote ai!

Banco: Caixa Economica Federal [104]
Favorecido: Silvio de Souza L Júnior.
Agência: 1340
Operação: 013
Conta Poupança: 809559-4

Rua 44 SEUADVOGADO 200x600
Estrela inativaEstrela inativaEstrela inativaEstrela inativaEstrela inativa
 

Publicado em 1930, o volume apresenta 49 poesias, reunindo produções de Carlos  Drummond  de  Andrade  de  1925  a  1930,  e  está  dedicado  ao  poeta e amigo Mário de Andrade, que publica, no mesmo período, Remate dos Males, obra  que  viria  a  dar  uma  nova  conformação  à  poética  do  Papa  do Modernismo.

Alguma  Poesia  é  volume  escrito  sob  o  ímpeto  da  modernidade  de  1922, pratica   o   poema-piada,   utiliza   os   coloquialismos   apregoados   pela estética,  cultiva  a  poesia  do  cotidiano,  repudiando  as  tendências parnasiano-simbolistas  que  dominaram  a  poesia  até  então.  No  entanto,  o poema-piada  de  Drummond  é  antes  um  desabafo  de  um  tímido  que  procura afogar (disfarçar) no humor os sentimentos que o amarguram. No prosaísmo esconde a procura de uma expressão poética autêntica e autônoma e, ao se voltar para o cotidiano, transcende o tempo e o espaço em busca do perene
e universal.

Dos  supostos  acima  enunciados,  pode-se  traçar  uma  espécie  de  linha temática que Drummond seguirá em Alguma Poesia e que permanecerá durante sua trajetória poética, que, grosso modo, pode ser identificada como se segue, a partir do que o próprio autor sugere como condução temática de sua obra:

1. O indivíduo - "um eu todo retorcido"

Seção  que  investiga  a  formação  do  poeta  e  sua  visão  acerca  do  mundo. Sempre  lúcido,  discorre  com  amargor,  pessimismo,  ironia  e  humor  o  que ele,  atento  observador,  capta  de  si  mesmo  e  das  coisas  que  o  rodeiam.
Alguns poemas sintetizam a visão do indivíduo, como o poema de abertura "Poema de sete faces" em que vaticina seu destino

2. A família - "a família que me dei"

Uma  das  constantes  temáticas  de  Drummond,  presente  desde  Alguma  Poesia até seus versos finais, é a família, sua vivência interiorana em Minas Gerais, a paisagem que marca sua memória. Contrariando o lugar-comum, ao invés de se referir à família como algo que lhe foi atribuído por Deus, o poeta coloca um "que me dei" a analisa suas relações pessoais, consciente
de  que  se  assentam  na  perspectiva  pessoal.  De  modo  muito  individual, retrata  o  escoar  do  tempo,  como  é  possível  observar  em  "Infância", "Família",  "Sesta",  alguns  dos  mais  significativos  poemas  de  Alguma Poesia.

3. O conhecimento amoroso - "amar-amaro"

Com o jogo de palavras amar-amaro, título emprestado de um poema do livro Lição  de  Coisas,  o  poeta  acrescenta  ao  substantivo  "amar"  o  adjetivo "amargo",  sentimento  recorrente  em  alguns  de  seus  poemas  e  livros escritos posteriormente. Em Alguma Poesia o tema é tratado com boas doses de  humor,  sátira  ou  pitadas  de  idealismo,  como  em  "Toada  do  amor", "Sentimental", "Quero me casar", "Quadrilha"..


4. Paisagem e viagens

Um  grupo  de  poesias  faz  anotações  sobre  viagens,  retratando  paisagens vistas  e  vividas,  mas  também  recuperando  as  influências  recebidas  da sempre subserviente postura brasileira ante as supercivilizações, como em "Lanterna mágica", "Europa, França e Bahia ".

5. O social e a evolução dos tempos

Drummond  constrói  poemas  em  que  contempla  a  mudança  dos  tempos,  o progresso  chegando  e  invadindo  a  antiga  paisagem,  como  em  "A  rua diferente" ou "Sobrevivente".