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Linguagem ou pensar contemporâneo?Um aspecto que impressiona na linguagem usada por Camões, é que seu texto mantém se de fácil compreensão para os leitores da contemporaneidade, algo que não acontece com os trovadores medievais. Isto talvez se explique pelo fato de Camões ter tratado em seus poemas os sentimentos de forma clara, sem o linguajar ingênuo e censurado dos seus contemporâneos. A linguagem de Camões por vezes foi vista como excessiva e obscena, e era!Camões rompeu com a ingenuidade comum da poesia de sua época, fez poemas que assediava a mulher descrevendo em seus versos um amor que queimava como o fogo. Desabafando em versos, marcante a coincidentia oppositorum, a consciência do oposto. Um inventar de um amor impossível devido a diferenças hierárquicas.Alguns ensaístas, como Lênia Márcia Mongelli, crítica literária e professora titular do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da USP, vê na forma que Camões retrata o amor, uma antecipação do Barroco. “Tanto do meu estado me acho incerto”, e “Amor é um fogo que arde sem se ver”: ambos os sonetos, cujo cerrado jogo de paradoxos é efeito de mesma causa — o Amor, são considerados antecipadores do movimento Barroco (século XVII), que tem como uma de suas características mais marcantes a coincidentia oppositorum, o gosto pela aproximação de contrários (MONGELLI, 1998. p.191)A conferência realizada na Casa de Portugal, por ocasião das comemorações camonianas de junho de 1964, registra:[...] o dualismo nas formas, que traduz posições de espírito também contrastantes, significa o mútuo enriquecimento das modalidades poéticas e a peculiaridade camoniana das conciliações que se rejeitam. Porque Camões é, ante de mais nada, o conflito, o dual, a antítese. E a sua poesia assim se expressa porque ali está o homem do Renascimento, colocando entre o misticismo de herança medieval e o racionalismo que se impunha às novas experiências, muito embora e por outro lado, ás ações predisse o desejo de harmonia, de feição também clássica (CASA DE PORTUGAL, 1964). Sobre estas afirmações Maria Helena Ribeiro da Cunha conta:Distinguir na sua poesia o conhecimento das doutrinas filosóficas, ou os trechos em que se evidencia a franca assimilação dessas doutrinas, [...] daqueles trechos aos quais acrescenta a contribuição pessoal, fruto de uma rica e verdadeira experiência. De um lado, portanto, uma poesia a indicar a cultura de um homem do seu tempo, carregado de informações doutrinais que foram colhidas pelo Poeta nas fontes mais em voga; de outro lado, a afirmar a elaboração de um temperamento propenso a conciliar as suas crenças religiosas com o elementos de uma formação acadêmica. (CUNHA, 1980)[v].