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TítuloO texto se inicia por nota de compiladores, aqui adotamos a D\'Amor e seus danos (1595 - redondilha 105, como o caracteriza o IBL - Instituto da Biblioteca Nacional e do Livro, Portugal. Neste caso o título nada mais é do que a repetição do primeiro verso do poema, depois da glosa.GlosaAs redondilhas de Camões são iniciadas por um mote conciso, uma característica do estilo, onde a redondilha é antecedida por três versos (terceto) que contem a idéia principal do que será desenvolvido no poema. 01 a este moto:
02 Quem ora soubesse
03 onde o Amor nasce,
04 que o semeasse!
Este em questão, exprime um ar de decepção, num conselho pessimista que demonstrar a idéia da existência de pessoas infelizes ao amor, por não saber onde ele nasce, assinatura (moto) deste poema.Primeira estrofe05 D\'amor e seus danos
06 me fiz lavrador;
07 semeava amor
08 e colhia enganos;
09 não vi, em meus anos,
10 homem que apanhasse
11 o que semeasse.
Os traços das expressões comuns aos Evangelhos, se não se explica pela visão laica do mundo de Camões, se justificaria por sua vida, e seus estudos. Luís Vaz de Camões (1524(?) - 1580(?)), filho de Simão Vaz de Camões e Ana de Sá e Macedo, seu pai partiu só para as Índias em busca de riquezas, mas morre em Goa. Sua mãe se casaria novamente. Camões, um fidalgo pobre, é educado em Lisboa por jesuítas e dominicanos. Em Coimbra faz o curso de Artes no Convento de Santa Cruz. Isto explicaria em pare os traços comuns das expressões comumente usadas nos Evangelhos, o cristianismo é grande influencia nesta época na literatura e arte. O mundo é tem idéias laicas, e Camões se assemelha em linguagem a um renascentista. Veja a mesma linguagem figurada num trecho bíblico, aqui também referindo se ao amor. Camões usaria neste poema, as mesmas metáforas bíblicas tão comuns ao amor caridoso, para descrever, um amor magoado e desiludido comum do seu ser.Ele dizia (Jesus): “Eis que o semeador saiu para semear. E ao semear, uma parte da semente caiu à beira do caminho e as aves vieram e a comeram. Outra parte caiu em lugares pedregosos, onde não havia muita terra. Logo brotou, porque a terra era pouco profunda. Mas, ao surgir o sol, queimou-se e, por não ter raiz, secou. Outra ainda caiu entre os espinhos. Os espinhos cresceram e a abafaram. Outra parte, finalmente, caiu em terra boa e produziu fruto, uma cem, outra sessenta e outra trinta. Quem tem ouvidos, ouça! (Mt 13,3-9)Faz-se necessário ressaltar que tal evento pessimista, mesmo estando aqui tão intimamente ligado a metáforas bíblicas, não é correto relacioná-la, sabendo que por muitas vezes, o mesmo Camões, usou desta mesma linguagem pra proclamar o mais lindo amor, como fez no soneto “Sete anos de pastor Jacó servia”, apresentado abaixo:Sete anos de pastor Jacó servia
Labão, pai de Raquel serrana bela,
Mas não servia ao pai, servia a ela,
Que a ela só por prêmio pretendia.
Os dias na esperança de um só dia
Passava, contentando-se com vê-la:
Porém o pai usando de cautela,
Em lugar de Raquel lhe deu a Lia.
Vendo o triste pastor que com enganos
Assim lhe era negada a sua pastora,
Como se a não tivera merecida,
Começou a servir outros sete anos,
Dizendo: Mais servira, se não fora
Para tão longo amor tão curta a vida.
Tal evento se assemelharia a passagem do semeador, que enfrenta o desafio de encontrar terreno apropriado para plantar sua semente. Camões aqui parece estar se referindo a si mesmo, porém não é possível determinar que fato o levasse a escrever tal afirmação, pode-se ao menos citar que “freqüentasse o Paço por D. António de Noronha, cuja morte é citada num soneto. Ali conhece Dona Caterina de Ataíde, Dama da Rainha, por quem se apaixona perdidamente” (QUEIROS, 2006).Há quem diga que Camões teria se apaixonado pela própria Infanta D. Maria, irmã de D. João III, Rei de Portugal. Muito se diz sobre os sentimentos de Camões, porém são muitas as especulações, tantas e tamanhas a sua própria personalidade. De certo se pode afirmar que ele viveu solteiro, sozinho nunca! Durante bom tempo de sua vida foi um boêmio, com amigos vadios, e suas mulheres meretrizes. Assediador, usa de palavras jocosas, interpretadas como obscenas por seus contemporâneos.