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Segunda estrofeA segunda estrofe é rica em metáforas líricas. Flores demonstram a beleza tão cobiçada, e tão “dura” ao coração.12 Vi terra florida
13 de lindos abrolhos,
14 lindos para os olhos,
15 duros para a vida;
16 mas a rês perdida
17 que tal erva pace
18 em forte hora nace.
O verso (13) usa a palavra “abrolhos”, que mesmo numa leitura externa, tem-se algumas definições, as quais duas se realçam, a primeira abaixo citada 1, o de espinhos em antítese ao próprio texto com flores vistas em “terras floridas”, e uma segunda, também citada pelo Larousse, a 3, que caracterizaria aqui o homem do mar.Os dicionários registram a palavra o verbete “abrolho” nos seguintes sentidos: ABROLHO (Ô) s.m. 1. Designação comum a diversas plantas rasteiras e espinhosas. 2. Qualquer espinho. 3. Forma do relevo submarino constituída por afloramento de rochas cobertos por menos de 20 cm de água, que por vezes emergem; escolho. (*) s.m. pl. Fig. Dificuldades, amarguras. (LAROUSSE, 2002)O verso (16) usa-se a palavra rês que no português atual tem como sentido qualquer quadrúpede usado para o abate, para uma definição foi usado um dicionário jurídico por sua abundância nos termos latinos.“RES”. Palavra latina, originada da raiz Ra, do sânscrito raz, é geralmente empregada na terminologia jurídica para exprimir tudo que é real ou se funda em coisa corpórea. Res, propriamente, significa coisa, ou todo objeto material, que não se refira ao homem. (DE PLÁCIDO E SILVA, 2001)Sobre esta definição, a coisa, é entendível que se perdeu algo, um amor, alguém, ou mais provavelmente o próprio tempo perdido na labuta pra conquistar alguém, cujo pessimismo ou sabedoria de Camões, parece afirmar ser inalcançável a si.Por outro lado é compreendido que o Animal perdido “que tal erva pace”, sendo mais compreendido, após esclarecer o verbete em negrito.O verso (17) usa termo Pace, que não é pertencente ao VOLP[vi] e que foi identificado como sendo do galego-português, cujo sentido esclarecer abaixo:Pacer v. i. Comer o gado a erva. v. tr. (1) Apacentar o gado. (2) Comer, roer, ou gastar. Pacer a outonia: (1) Fazer desaparecer a erva de um prado que nom se guarda bem. (2) Fig. Tirar a noiva a alguém. Sinóns. Pastar, pastejar [lat. pascere].
(E-ESTRAVIZ, 2007)
São ricos os significados dos três versos desta estrofe, o qual o verso (18), nace, definesse segundo ao dicionário Galego, Dicionário e-Estraviz, da segunte forma “Nacer v. i. Nascer [lat. nascere, por nasci]”, o que exibe neste trecho uma criatura, (coisa) que tem por natureza comer a erva (amor) assim que este nasce.Terceira estrofe19 Com quanto perdi,
20 trabalhava em vão;
21 se semeei grão,
22 grande dor colhi.
23 Amor nunca vi
24 que muito durasse,
25 que não magoasse.
A última estrofe fecha o contexto de decepção, quando o autor afirma categoricamente que de suas investidas ao amor, nunca teve sucesso, restando por experiência uma sabedoria de amarguras e desilusões. A lírica de amor camoniana tem sempre um desfeche doloroso, “porém a nota singularidade da lírica camoniana, sobrelevando-a de qualquer outra, é ter feito quase exclusivamente do Amor a dolorosa via crucis de acesso à tal “Beleza que não morre”, afirma Lênia Mongelli.Uma última consideraçãoCamões teria lido Platão, teria a influência italiana, laica? Especulações à parte, o Poeta viveu aventuras, e sua poesia autenticamente Classicista, demonstrou o misto de um nacionalismo uma religiosidade em conflito e a odisséia que de sua vida. Se pouco pode-se afirmar com absoluta certeza, não pode-se negar quão maravilhosa foi sua criação literária, frutos de um penar singular, e, que será eternamente atual....REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICASFonte do poema D’amor e seus enganos foi o livro:CAMÕES, Luís Vaz. Rimas. ed. de 1595:CHISTE. Prefácio: Álvaro J. da Costa Pimpão. Coimbra: Almedina, 1994[vii].Demais referências:CATELAN, Álvaro. Literatura Luso-Brasileira. São Paulo: Editora do Brasil, 197?. 301 p.TUFANO, Douglas. Estudos de Literatura Brasileira. 4. ed. São Paulo: Moderna, 1988. 321 p.LES ÉDITIONS DU CERF. École biblique de Jérusalem. Tradução: Paulus. A Bíblia de Jerusalem. 2. ed. São Paulo: Paulus, 2003. 2206 p.CUNHA, Maria Helena Ribeiro da. Lirismo e epopéia em Luis de Camões. São Paulo: Cultrix, 1980. 142 p.CAMÕES, Luís de. Para Tão Longo Amor Tão Curta A Vida - Sonetos e Outras Rimas. São Paulo: FTD, 1998.DicionáriosMERCURY JR, THE INTERNATIONAL ENCICLOPAEDIA. Mercury Jr da Língua Portuguêsa. Poliglota Ilustrado. 4. vl. São Paulo: Livro’mor, 19??.DE PLACIDO E SILVA. Vocabulário Jurídico. 18a. ed. Rio de Janeiro: Forense. 2001. 879 p.LAROUSSE CULTURAL. Pequeno Dicionário da Língua portuguesa. São Paulo: Nova Cultural/Moderna, 1992. 1047 p.Bases acessadas na InternetE-ESTRAVIZ. Dicionário da Língua Galego-Portuguesa, Disponível em:<< http://www.agal-gz.org/estraviz/>> Acessado em 16 de set 2007.QUEIROZ, Mirna. LUÍS VAZ DE CAMÕES. 2005. Disponível em: <<http://www.vidaslusofonas.pt/ luis_de_camoes.htm>> Acesso em: 15 set 2007. 

[i] O livreiro e l consta em capas de livros como, impresso do século XVI. Como pode ser visto na obra de FERREIRA, António, 1528-1569. Poemas lusitanos / do doutor Antonio Ferreira dedicado por seu filho Miguel Leite Ferreira ao Príncipe D. Phillippe, nosso senhor. - Em Lisboa: por Pedro Crasbeeck : a custa de Estevão Lopez, 1598. - [4], 240, [4] f. ; 4º (19 cm). - Assin: //A1//4,A-Z//8,a-g//8,h//4. - Anselmo 517. - D. Manuel 260[ii] Obra de Garcia de Resende;[iii] Garcia de Resende (Évora, 1470 - Évora, 1536) foi um poeta, cronista, músico e arquiteto português;[iv] Escalonamento feito pelo ensaísta[v] Publicado no Boletim Bibliográfico da Biblioteca Municipal Mário de Andrade, v. XXVII, jul.-ag.-set., 1970, São Paulo, com o título de As doutrinas filosóficas na lírica camoniana.[vi] Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, no Brasil mantido pela Academia Brasileira de Letras, e com força de Lei.[vii] Agradecimento a Marcella Moraes. 

 

 

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