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A linguagem e a vida são uma coisa só. Quem não fizer do idioma o espelho de sua personalidade não vive; e como a vida é uma corrente contínua, a linguagem também deve evoluir constantemente.

Guimarães Rosa

São diversas as sinterizações acerca da linguagem, cada ramo das Ciências Humanas a trata com suas próprias peculiaridades, sendo possível encontrar conceitos de linguagem na perspectiva jurídica, filosófica, sociológica, como nas demais. Cada uma destas, mesmo tendo o mesmo foco, têm entre si, singularidades expressivas, características dos prismas abordados. Este ensaio buscará estabelecer um ponto de vista humanístico, traçando uma linha cronológica, à procura de estabelecer relações entre os conceitos de linguagem, aplicáveis as idades do homem.

Se faz bastante relevantes à infância, a afirmação de Vygotsky feitos em sua obra Linguagem e Pensamento, nesta o autor afirma que até cerca do segundo ano de vida, pensamento e a linguagem são distintos. Tal afirmativa é bastante curiosa, nela, a assimilação da linguagem ocorrida a partir dos primeiros anos traçaria o diferencial entre o pensamento e a linguagem. Para Vygotsky o choro não é tão somente uma fase da evolução da fala, e não se estabelece diretamente uma relação com o pensamento.

 

Assim como no reino animal, para o ser humano pensamento e linguagem têm origens diferentes. Inicialmente o pensamento não é verbal e a linguagem não é intelectual. Suas trajetórias de desenvolvimento, entretanto, não são paralelas - elas cruzam-se. Em dado momento, a cerca de dois anos de idade, as curvas de desenvolvimento do pensamento e da linguagem, até então separadas, encontram-se para, a partir daí, dar início a uma nova forma de comportamento. É a partir deste ponto que o pensamento começa a se tornar verbal e a linguagem racional. Inicialmente a criança aparenta usar linguagem apenas para interação superficial em seu convívio, mas, a partir de certo ponto, esta linguagem penetra no subconsciente para se constituir na estrutura do pensamento da criança (SHÜTZ).

 

Já na infância a palavra demonstra seu poder. E mesmo não estando intimamente ligada as concepções moralistas comuns a vida adulta, já neste momento as informações recebidas sobre conceitos éticos e morais são assimilados, ato que molda o caráter do individuo, tendo neste momento a linguagem a função de ponderador do comportamento.

A criatividade demonstra nesta idade relaciona a invenção, os contos. As estórias atraem as crianças, e estas são lançadas numa realidade construída pela linguagem. E também, através da linguagem criam esta realidade. Helen Philips, conta que "Crianças geralmente confabulam quando pedimos que falem sobre assuntos que não conhecem", a autora também afirma que "As crianças precisam de pouco estímulo para inventar histórias, sobretudo quando pedimos que falem de coisas que não conhecem", o que demonstra o uso da linguagem em ações que vão além da comunicação externa, mas na linguagem como meio de resolver problemas, e questionamentos do próprio ser.

A linguagem encanta, encabula, e aliena a criança, levando-a a crer em seres fictícios, aventuras miraculosas, e super-poderes. O que já antecede a concepção adulta de dogmática característica da religiosidade.

Na adolescência a linguagem desperta a idéia dos tabus, a realidade pragmática e as idéias de superstição. O jovem pode vir a se tornar cético de frente aos novos mitos (fé, comodismo social), ou ter seus mitos substituídos pela dogmática religiosa, mais comuns aos jovens que neste momento têm sua inclusão nos grupos religiosos da comunidade. Sendo importante confirmar que não há cessão de mitos, ou rituais, tão somente uma adaptação ou mudança de um rito para outro.

A palavra mantém forte como continuará por toda a vida do homem. Os tabus serão obstáculos da comunicação, e assuntos como masturbação, drogas, e insegurança, serão tão difíceis de serem discutidos como uma confissão de: "O erro foi meu".

tabu (palavra originária de um grupo aborígene austral) seria um sentimento social (coletivo) sobre um determinado comportamento ou assunto, não se tratando o tabu de 'regras sociais' mas sim uma ponte entre uma determinação comportamental biológica e uma cultural (própria das sociedades 'européias, evoluídas') (FREUD).

 

O senso comum é em sua essência fruto da linguagem. Porém não há mérito nisto, pois a ciência também é. O que há de relevante é como gradativamente as idéias de Papai Noel, doentes e fadas são substituídas por conceitos e dogmas próprios da vida adulta.

Mas será na vida adulta que se afirma que: o poder da palavra valerá o mesmo que vale quem a fala. Neste instante os princípios do que se entende como moral tornar-se-á importantíssimos.

 

Isso leva a pensar que linguagem e sociedade têm uma relação muito mais que ocasional e fortuita. Ao contrário, ao que tudo indica, onde há uma, há outra, de modo que a relação entre elas é de absoluta necessidade sendo uma também condição suficiente da outra. Quer dizer, há entre elas uma dupla implicação. E é essa complicação que faz com que para muitas teorias lingüísticas seja a comunicação a principal função da linguagem (VOGT).

 

Neste momento (vida adulta) até as abstrações podem ser representado pelos mais variados meios de linguagem (códigos). A arte, seja pela poesia, a plástica, música, todas, tem neste momento significado expressivo.

A idade ira apenas firmar as relações de poder da fala. E a cessão desta com a morte não significará um fim. Havendo registro, a linguagem se perpetua por séculos a mais, e com ela homens diversos homens a referenciará, fará consultas, e iniciará discussão.

 

O valor da escrita é imortal, invejo os imortais escritores que há séculos "procriaram" seus textos e se nunca mais desencarnaram do planeta Terra. Sim, nunca mais desencarnaram, porque cada cópia de suas obras espalhadas pelo mundo, é um pedaço de seus corpos e mentes, sendo absorvidas pelas pessoas e perpetuando as vidas desses autores(CRUZ).

 

 

Inegável a sua importância, a linguagem tem durante o percurso da vida humana peculiaridades imutáveis, e outras totalmente inconstantes. A comunicação por sua vez, é constante em toda a vida depois do segundo ano, sua forma entretanto pode acontecer por diversos meios, textuais ou não. O seu uso, pode tanto incluir, como excluir um individuo de uma sociedade. É instrumento eficiente de analise do comportamento, podendo ser um eficiente indicador da posição ocupada por um homem dentro do âmbito social.

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

LAPORTA. Tais. Guimarães Rosa no Museu da Língua Portuguesa. Publicado em 1/11/2006 (quarta-feira). http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp? codigo=2101. Acessado em 23 março 2008.

SCHÜTZ, Ricardo. Vygotsky & Language Acquisition. English Made in Brazil - 5 de dezembro de 2004 - <http://www.sk.com.br/sk-vygot.html>. Acessado em 22 março 2008.

PHILIPS, Helen. Ficções da Mente, in Revista Mente&Cérebro, ed. nº 169, fev/2007. < http://www.adur-rj.org.br/5com/pop-up/ficcoes_da_mente.htm>. Acessado em 23 Março 2008.

FREUD, S. Totem e tabu. In: Obras completas de Sigmund Freud; trad. Dr. J.P. Porto. Rio de Janeiro: Delta, s.d. p. 49-239. v.14. Acessado 23 Março 2008.

VOGT, Carlos. Sociedade, democracia e linguagem. Com Ciência. <http://www.comciencia.br/reportagens/2005/07/01.shtml>. Acessado em 22 Março 2008.

CRUZ, Alexandro. Outra Maria Madalena. <http://alexandrocruz.uol.com.br/arch 200711-25_2007-12-01.html>. Acessado em 23 Março 2008

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