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Data do Ocorrido: 04/06/2010
Localização: Contagem (MG)
Data de Nascimento: 22/02/1985 (25 anos)
Data de Falecimento: 09/06/2010
Sexo: Feminino
 

Eliza Silva Samudio, 25 anos, está desaparecida e o goleiro Bruno, do Flamengo, é apontado como suspeito do sumiço e assassinato da ex-namorada.

Eliza Samudio está desaparecida há quase um mês desde que contou a amigas que viajaria para Minas Gerais a pedido do atleta, de acordo com elas.

A Polícia Civil de Contagem (região metropolitana de Belo Horizonte), que investiga o caso, informou que trabalha com a hipótese de a jovem ter sido vítima de homicídio no sítio de Bruno, em Ribeirão das Neves (Grande Belo Horizonte).

"Temos informações de que o Bruno veio para BH com Eliza Samudio e a criança. Ele é o principal suspeito do sumiço dela. Infelizmente, tudo indica que ela esteja morta, até porque uma mãe não abandona um filho de 4 meses. Já estamos com equipes nas ruas em em busca do corpo dela", afirmou o investigador da delegacia de Homicídios de Contagem Marco Antônio Fonseca.

O advogado e conselheiro do Flamengo Michel Assef afirmou que o goleiro nega ter participação no sumiço da ex-namorada.

"Eu falei com o Bruno sobre essa acusação e ele me disse que não sabe de nada e não tem nada a ver com isso. O fato da polícia suspeitar de alguém não constitui nenhum crime."

Dia 25/06, a polícia localizou o suposto filho do goleiro, de 4 meses, que sumiu no início do mês junto com sua mãe, Eliza Samudio, em uma casa no bairro Liberdade, em Contagem.

De acordo com a polícia, o bebê estava com familiares no sítio de Bruno, mas na semana passada foi levado à casa de uma amiga de Dayane Souza, mulher do goleiro.

"Prendemos em flagrante Dayane entregando a criança a uma amiga. Ela foi autuada por falta de documentação e subtração de incapaz. Dayane disse, durante depoimento na delegacia, que o bebê é filho de Bruno e Eliza Samudio, mas não soube explicar por que estava com ele. Ela foi liberada, em seguida, por não ter antecedentes criminais e o neném foi levado para um abrigo pelo Conselho Tutelar", e entregue ao avô materno, pai da modelo Eliza Samudio no dia 27/06 em Contagem.

Bruno deve ser chamado para prestar depoimento nesta semana. A polícia encontrou a criança após receber uma denúncia de que Eliza Samudio havia sido "violentamente espancada" dentro do sítio do jogador. A delegacia de Contagem investiga acusação de que as roupas da estudante foram queimadas no local.

"Desconheço inteiramente que a criança estava com o Bruno. Ele disse que estava o tempo inteiro aqui no Rio, inclusive ele treinou normalmente no Flamengo e disse que não sabe de nada", declarou o advogado Assef.

Em outubro do ano passado, Eliza Samudio registrou queixa contra o atleta sob acusação de sequestro, ameaça e agressão na Deam (Delegacia de Atendimento à Mulher), de Jacarepaguá, na zona oeste do Rio. Na ocasião, Bruno negou qualquer ameaça ou agressão a ela.

O Flamengo anunciou que o goleiro Bruno permanece afastado do time durante as investigações.

Além de Bruno, também foram presos por suspeita de envolvimento no caso um amigo dele, Luiz Henrique Romão, conhecido como Macarrão, e a mulher do atleta, Dayane Souza.

Apesar do corpo de Eliza Samudio não ter sido localizado, o delegado responsável pelo caso afirma que Eliza Samudio está morta e relata que foi morta com requintes de crueldade e sofreu muito antes de morrer.

Disse o delegado:
"-Foi uma agonia descomunal.
Ninguém pode sequer imaginar o que essa moça sofreu antes de morrer".

Primo de Bruno conta mais detalhes do caso Eliza Samudio

Sérgio Rosa Sales é considerado pela polícia testemunha-chave do crime
 
De acordo com a matéria veiculada em 24/10/2010, o "Fantástico" teve acesso a um vídeo com imagens inéditas gravadas no sítio do goleiro Bruno, em Esmeraldas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. No vídeo, anexado ao processo judicial que apura o desaparecimento de Eliza Samúdio, Sérgio Rosa Sales, primo de Bruno, reconstitui para a polícia o que aconteceu no sítio nos dias anteriores ao desaparecimento da ex-amante do jogador. Ele conta, com detalhes, o que aconteceu também depois que Bruno, Macarrão e o menor chegaram ao sítio sem Eliza.
 
Sérgio é considerado pela polícia a testemunha-chave do caso. Porque, desde o início das investigações, nunca mudou o depoimento. Segundo Sérgio, a última vez que ele viu Eliza no sítio foi quando ela deixou o local, acompanhada de seu filho. Macarrão e o menor teriam levado a moça em um carro.
 
Sobre o desabafo de Bruno na noite do crime, por exemplo, Sérgio disse no interrogatório: "Não era melhor você ter resolvido isso na justiça?" Aí Bruno disse: "já tá feito, cara".
 
Corpo de Eliza Samudio foi concretado e até hoje não foi encontrado pela polícia
 
No vídeo da reconstituição, ele diz a mesma coisa:
Policial - E você falou o que com o Bruno?
Sérgio - Por que não resolveu na justiça.
Policial - E ele?
Sérgio - Ele falou que já tava feito. Aí começou a chorar.
 
Este mês, a juíza que cuida do caso permitiu que, por medida de segurança, Sérgio não fosse às audiências. O primo do ex-goleiro está separado dos outros presos porque estaria sendo pressionado por advogados de outros envolvidos.
 
Segundo as investigações, Eliza foi assassinada no dia 9 de junho deste ano. Mas até agora o corpo não foi encontrado. Oito pessoas são acusadas pelos crimes de sequestro, cárcere privado, homicídio, ocultação de cadáver, formação de quadrilha e corrupção de menores.
 
Há também um menor de idade que confessou ter agredido Eliza Samudio a coronhadas horas antes do desaparecimento. O nome do menor, que já está cumprindo medida sócio-educativa, foi suprimido desta reportagem. Agora a justiça vai decidir se os demais acusados vão a júri popular.
 
O vídeo
 
Sérgio diz aos policiais que estava na porta da sala quando viu Eliza pela primeira vez. Era manhã do dia 8 de junho, véspera da morte.
Policial - Quem tava com você, do lado de fora aí?
Sérgio - O Macarrão.
Policial - E ele falou o que com você?
Sérgio - Que não era pra mim entrar.
Policial - Tá. Aí você perguntou pra ela alguma coisa?
Sérgio - Não, tava fechado. Perguntei pra ele por que eu não podia. Falou: eu não devo satisfação.
 
Sérgio mostra onde Eliza estava machucada. Segundo o primo de Bruno, ela estava sozinha com o bebê no colo. Sérgio continuava sem poder entrar na sala.
 
No interrogatório, Sérgio contou que na noite do dia 9, quando Eliza foi levada do sítio, Bruno saiu às 19h num carro Fiat Uno. No vídeo, o primo do ex-goleiro repete a informação. 
Sérgio - O Bruno saiu foi sete horas.
 
Segundo o primo do ex-goleiro, duas horas depois Macarrão e o menor apareceram do lado de fora da casa com Eliza e o bebê. Macarrão carregava uma mala vermelha. Todos entraram em outro carro, um Ford modelo Ecosport.
Policial - E como é que foi a mala dela?
Sérgio - Vermelha.
Policial - Quem que botou?
Sérgio - O macarrão.
Policial - Botou aonde?
Sérgio - Na traseira do carro, no porta-mala.
 
Sergio diz que Macarrão e o menor não deixaram ele se aproximar.
Alegaram que iam dar um passeio, e Eliza parecia bem.
Policial - E eles falaram o que pra você?
Sérgio - Só mandou sair, pra ficar lá no fundo, lá, que eles só iam passear com a menina.
Sérgio - Tava tranquila, tava normal.
Policial - Tava normal com eles. Falava alguma coisa ela, falou nada?
Sérgio - Não.
Policial - E o machucado dela?
Sérgio - Não tava sangrando, tava sem curativo.
Policial - E a criança?
Sérgio - Tava no colo dela.
 
Horas mais tarde, segundo Sérgio, Bruno, Macarrão e o menor voltaram. Sem Eliza e o bebê.
Policial - Quem que chega três horas da manhã?
Sérgio - O menor, o Bruno e o Macarrão.
Policial - Chegou em qual carro?
Sérgio - Ecosport.
Policial - Os três no mesmo carro?
Sérgio balança a cabeça afirmativamente.
Macarrão e o menor, segundo Sérgio, trataram de queimar a mala vermelha de Eliza.
Policial 1 - Exatamente aqui que queimou.
Policial 2 - Tá filmando aí.
Policial - Ilumina aqui com outra lanterna mais forte.
 
Câmera mostra local, que tem carvão e manchas
 
Policial - Quem tava? Quem tava?
Sérgio - O menor e o Macarrão.
Policial - Aí o Bruno chegou aqui...
Sérgio - Ele falou: "volta, que eu vou conversar com os menino". Aí ele levou os menino pra lá.
Policial - Que que eles tavam conversando?
Sérgio - Eles tavam lá no fundo.
Policial - Mais assim gesticulando muito...
Sérgio - Tava xingando, os meninos só escutando.
Sérgio - Aí falei cadê a menina? Pro Bruno. Aí o menor falou pra mim: já era.
 
No depoimento na delegacia, Sérgio acrescenta que o ex-goleiro ainda disse: "acabou esse tormento".
 
Segundo o primo de Bruno, foi o menor de idade quem informou que Eliza tinha sido entregue ao ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola.
 
São as palavras do menor que Sérgio reproduz ao contar como Eliza foi morta por Bola.
Sérgio - Falou com ela assim: "vira de costas".
 
Ela falou com o cara: "ô moço, eu não quero apanhar mais não". Ele falou com ela assim: "cê não vai apanhar, não; cê vai morrer. Diz que ele foi e deu uma gravata nela. Aí, quando ela caiu, diz que o Macarrão foi e chutou ela.
 
O menor de idade chegou a detalhar, para Sérgio e para a polícia, como o ex-policial teria se livrado do corpo de Eliza. O cadáver teria sido cortado em pedaços e dado como comida a cães da raça rotweiller.
Sérgio - Tinha dois cachorro.
Policial - Qual eram os cachorros?
Sérgio - Rotweiller.
Policial - Rotweiller?
Sérgio - É.
Policial - Quem tava te contando isso?
Sérgio – O menor.
Policial - E ele tava te contando normal ou tava...
Policial - Tava feliz?
Sérgio - Tava.
Policial - E o Bruno?
Sérgio - Bruno, não.
Policial - O Bruno tava como?
Sérgio - Tava sério, de cabeça baixa.
Policial - Assustado... Alguém parecia que tava assustado?
Sérgio - Assustado, não. Tava arrependido.
 
O menor acabou mudando o depoimento. Seu advogado relata: "Eu perguntei pra ele, escuta, diga pra mim a verdade e o que que há de mentira, o que que não é real nessa história. Ele disse "doutor, eu inventei a primeira mentira e aí não teve mais jeito porque os delegados foram me pressionando, pressionado, pressionando, e eu dizia o que vinha na minha cabeça e deu no que deu."
 
Até agora, Sérgio não mudou o relato. O advogado dele, Marco Antônio Siqueira, acha que se ele resolver mudar no depoimento à justiça pagará pela mudança. Segundo ele, “uma certeza eu tenho: que se ele mudar pra tentar beneficiar a, b ou c, certamente ele será condenado.”
 
Ércio Quaresma, o advogado de Bruno, não pôde gravar entrevista. O escritório dele informou que o advogado estaria internado num hospital. Ninguém da equipe de Ércio quaresma foi indicado para se manifestar sobre a reconstituição. A partir do mês que vem, em novembro, a justiça começará a ouvir os acusados.
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