Instagram

Ajude-nos

Você sabia que qualquer pessoa pode publicar neste site, mas que todo custo é pago apenas pelo editor?
Se deseja ajudar este projeto, pode fazer doações de qualquer valor, mesmo poucos centavos, por meio de depósito em poupança da Caixa Econômica Federal. Anote ai!

Banco: Caixa Economica Federal [104]
Favorecido: Silvio de Souza L Júnior.
Agência: 1340
Operação: 013
Conta Poupança: 809559-4

Rua 44 ANALOBO1 600x200
Estrela inativaEstrela inativaEstrela inativaEstrela inativaEstrela inativa
 

   Não deixa de ser trágico, e também irônico, que a primeira condenação do caso Celso Daniel esteja ocorrendo nove anos após a sua morte e no apagar das luzes do governo
Lula. Com o ex-prefeito de Santo André, próspera cidade do cinturão industrial paulista, o PT deverá ter sempre uma dívida de gratidão. Sem Celso Daniel, o partido talvez não tivesse alcançado a Presidência da República, em 2002. Naquela disputa, Luiz Inácio Lula da Silva só aceitou concorrer pela quarta vez ao Palácio do Planalto depois de impor uma condição: a de entrar para ganhar, dispondo dos mesmos meios que seus adversários. E como o PT ainda não tinha acesso ao big business nacional, suas fontes de financiamento eram primitivas. Esquemas com empresas de ônibus, de lixo e do jogo nos governos municipais. De todos os prefeitos do PT, Celso Daniel talvez tenha sido o mais pragmático. Os fins justificam os meios.
   Em algum momento daquela disputa presidencial, Celso Daniel se viu no meio de duas quadrilhas: a “do bem”, formada por integrantes do seu partido dispostos apenas a chegar ao poder, e a “do mal”, liderada pelos empresários que se beneficiavam dos esquemas de Santo André. Na drenagem de recursos da prefeitura, uma parte era direcionada à campanha e outra aos agentes da corrupção. Consta que o ex-prefeito teria se revoltado com o exagero dos desvios para finalidades pessoais. E esse teria sido o motivo do fatídico jantar com seu ex-segurança, Sérgio Gomes, o “Sombra”, na noite do sequestro que culminou no seu assassinato. Um curioso crime em que os bandidos teriam rendido os dois na saída do restaurante, mas levado apenas Celso Daniel. Sombra hoje é suspeito de ser o mandante do crime, numa história sinistra que ainda envolve dois nomes fortes do governo Lula: Gilberto Carvalho e Miriam Belchior, cotados para o ministério de Dilma Rousseff.
   Celso Daniel se foi, mas o projeto político que venceu a disputa eleitoral de 2002 hoje está no poder. Não tivesse sido morto, quem seria hoje o ex-prefeito? Na campanha de Lula, ele era o homem forte, responsável pelo programa de governo. Culto, articulado e com experiência na gestão pública, ele provavelmente teria sido o coordenador do processo de transição e depois o ministro da Fazenda do primeiro mandato de Lula – um papel que, na sua ausência, foi exercido por Antônio Palocci, ex-prefeito de Ribeirão Preto, cidade paulista que também participou do esforço de arrecadação do PT em 2002. Palocci, como se sabe, era a primeira alternativa do partido para a sucessão de Lula, mas não pôde concorrer porque surgiu um Francenildo no seu caminho. Teria sido Celso Daniel o candidato natural à sucessão de Lula? Seria ele hoje o presidente eleito da República? Conjecturas possíveis, mas que jamais serão respondidas.

  Leonarto Attuch é jornalista (transcrito da revista IstoÉ)